Validade Metodológica e Manipulação Estatística

Floris Goes, PhD Candidate Sport Sciences and Physiotherapist, afirma que novas intervenções com a Eletrólise Percutânea podem ser muito prometedoras no tratamento de patologias complexas como a tendinopatia. Estas intervenções introduzem-se e inclusive usam-se ampliamente no ramo da fisioterapia antes de existir uma grande quantidado e qualidade de evidência. Por essa razão, os fisioterapeutas utilizam com frequencia diferentes protocolos de tratamento e formas de aplicação sem ter a certeza de qual é o melhor. Nesse contexto, estudos como o estudo comparativo de Padron-Benitez e Rojas-Mederos (2016) são muito importantes.

Este estudo tem como objectivo responder a questões importantes mediante a comparação de diferentes protocolos de tratamento. Os fisioterapeutas tendem a valorizar muito este tipo de estudos devido às suas implicações práticas directas. Contudo, deve ter-se em conta que o estudo de Padron-Benitez e Rojas-Mederos (2016) sofre de sérias limitações e os seus resultados devem interpretar-se com precaução. Na tabela 1. pode observar-se um quadro com as limitações (riscos de manipulação) do estudo objecto de análise:

  • em design;
  • nos metódos de amostragem;
  • na recompilação de dados;
  • na generalização dos resultados;
  • no seguimento e as medidas resultado incluídas durante o seguimento;
  • a falta de aleatorização;,
  • as inconsistencias teóricas na introdução;
  • a falta de uma hipótese clara,

 

Tabela 1. Principais manipulações dos dados em questão

Para poder alcançar estas conclusões a evaluação foi realizada tal e como se demonstra em seguida.

Avaliação de Qualidade:

Para avaliar objetivamente a qualidade deste estudo foram utilizadas duas ferramentas de avaliação de qualidade:

  • A Escala PEDro (Verhagen et al., 1998) para avaliar a validade interna e externa e a generalização do estudio.
  • A Crowe (CCAT), ferramenta de avaliação crítica que se utiliza para avaliar ampliamente a qualidade dos relatórios de estudo (Crowe et al., 2012).

Puntuações:

Segundo a escala PEDro, a puntuação obtida pelo ensaio foi de 5 de 10 pontos, como se pode observar na seguinte tabela:

Tabla 2. PEDro Escale. (Verhagen et al., 1998)

Tabela 2. PEDro Escale. (Verhagen et al., 1998)

 

Segundo a ferramenta de avaliação crítica de Crowe (CCAT), a puntuação obtida foi 20 de 40 pontos, ou seja, puntuação de 50% no CCAT, como se pode comprovar na seguinte tabela:

 

Tabla 3. Crowe Critical Appraisal Tool (CCAT)

Table 3 – CCAT (Crowe et al., 2012)

Assim sendo, o estudo realizado por Padron-Benitez e Rojas-Mederos (2016) obtém uma pontuação média/baixa nos dois intrumentos de avaliação. Nos seguintes parágrafos poderá verificar quais foram as limitações mais severa do estudo, saiba tudo!

Limitações do estudo:

A limitação mais significativa deste estudo é a sua validez interna, tendo em conta osresultados proporcionados nas tabelas 2 e 3. Existem graves riscos de manipulação neste estudo devido à estrutura, os métodos de amostragem e a recolha de dados.

O tamanho da amostra de 13 pacientes, um total de 17 tendões, é indiscutivelmente pequena. Dado que os autores não realizaram uma análise de potência antes do estudo, não fica claro porque foi elegido este tamanho amostral e não outro. O facto de que se encontrem efeitos significativos pode dever-se à baixa potência ou, simplesmente, porque estes são efeitos na realidade não existem. Mas, o mais importante, é o facto de que um tamanho amostral tão pequeno aumenta o risco de que o estudo seja erróneo ou manipulado. Se apenas existem 6 ou 7 pessoas num grupo de tratamento, o impacto de um paciente que reaja bem ao tratamento pode ser muito significativo tendo em conta as médias grupais. Assim sendo, em lugar de detectar efeitos grupais, os autores deste estudo também poderiam ter detectado valores atípicos.

Este risco severo de manipulação aumenta ainda mais pelo simples facto de que as características baseais de ambos os grupos variam em grande medida. Os autores não proporcionaram nenhuma comparação de referência em ambos os grupos, ainda assim, pode calcular-se que estes efeitos estão absolutamente presentes. Quando se tem em conta o número de tendões implicados por participante incluíndos no estudo como factores de ponderação, a idade média do grupo 1 é de 4,6 anos mais alta em comparação com as idades presentes no grupo 2 e a duração média dos sintoma é assimbrosamente de 24,1 meses mais alta a demonstrada no grupo 1 que a demonstrada no grupo 2. 

Posto isto, somos encaminhados para outra possível limitação do estudo: a generalização dos resultados. É possível questionar se os participantes incluídos neste estudo pode considerar-se como uma amostra que representa a população com queixas compatíveis com tendinopatia rotuliana. O estudo não proporciona detalhes sobre o processo de diagnóstico e os critérios de diagnóstico, pelo que na realidade não existe maneira de saber realmente se a amostra é representativa ou não. Ainda assim, uma duração média dos sintomas de 4-5 anos é demasiado larga e, por tanto, a generalização dos factos demonstra a dúvida da veracidade dos resultados.

Assim sendo, uma limitação deste estudo é o seguimento e as medidas de resultado incluídas durante o seguimento. Os autores escolheram usar pontuações de ecografia, EVA e VISA-P, para avaliar os efeitos da terapia depois de 3 e 6 semanas. Não foram encontrados resultados importantes e significativos, o que não é surpreendente, tendo em conta a duração do seguimento e as medidas escolhidas para a estrutura.

O processo de recuperão do tendão é um processo verdadeiramente largo que pode durar até 12 meses (Sharma y Mafulli, 2006; Khan et al., 2000). Se a hipótese dos autores fosse correcta os resultados da eletrólise depois do início do processo regenerativo seriam observáveis morfológicamente entre 3 a 6 meses depois e não nas primeras 6 semanas. (Sharma y Mafulli, 2006; Khan et al., 2000). As únicas mudanças esperadas depois da terceira e sexta semana são as mudanças clínicas tendo em conta a dor e a tolerância ao movimento. Obviamente que estas mudanças se podem medir com VISA-P e EVA mas, uma vez que não se realizam mais medidas de seguimento, não existe uma maneira de decidir se essas mudanças são o resultados do efeito placebo ou se estão realmente presentes.

 

Para continuar com esta revisão crítica podem destacar-se mais limitações como:

  • A falta de aleatorização;
  • As inconsistências da teoria localizada na introdução;
  • A falta de uma hipótese clara.

Este artigo foi publicado numa revista não indexada sem factor de impacto e, consequentemente, não terá um impacto científico real.

Segundo concluído Floris Goes,

Resumidamente, os fisioterapeutas deveriam interpretar este estudo na sua totalidade com severa precaução, com uma atenção especial para o alto nível de manipulação. E, mesmo que a ideia de comparar protocolos parece interessante à primeira vista, é necessário que um estudo tenha uma estrutura multicêntrico com uma amostra muito maior e um seguimento de pelo menos 6 meses. Claro, sem esquecer outros factores como: a aleatorização e o processo de diagnóstico adequadamente descrito para demonstrar realmente os efeitos de diferentes protocolos.

References

Online Assistance