A fisioterapia pode ajudar as pessoas mais velhas a viver melhor e a “somar vida aos anos”. Este é precisamente o lema do Dia Mundial da Fisioterapia deste ano, que se celebra dia 8 de Setembro. Nesta ocasião, é prestada uma especial atenção aos maiores de 70 anos.

A população mundial está cada vez mais envelhecida. De acordo com a World Confederation for Physical Therapy (WCPT) em 2050 haverá mais de 9 biliões de pessoas, das quais 2 biliões irão superar os 60 anos de idade e 400 milhões irão superar os 80 anos. Com a ajuda da Fisioterapia, à parte de prevenir e tratar doenças, estas pessoas poderão ganhar uma melhor mobilidade e uma melhor qualidade de vida.

Contudo, segundo a OMS, um terço da pessoas com mais de 70 anos não cumprem com a rotina de actividade física recomendada pelos terapeutas. Como consequência deste tipo de atitudes, muitos os pacientes complicam o trabalho do fisioterapeuta. Ter um papel activo é muito importante para que se possam observar resultados positivos e um aumento da qualidade de vida.

O que é que a Fisioterapia pode fazer por mim?

fisioterapia insiste que devemos ser mais activos, especialmente pessoas com problemas derivados da idade ou doenças. As pessoas que vão ao fisioterapeuta e praticam exercício podem reduzir até 23% o risco de cair (uma em cada três pessoas mais velhas caiem pelo menos uma vez durante o ano).

Um em cada cinco casos de demência senil poderia explicar-se por inactividade. Incluso, 10 milhões de casos poderiam evitar-se devido ao exercício físico planificado pelo fisioterapeuta (WCPT). Resumidamente, uma pessoa mais velha que “se mova” tem mais qualidade de vida: é mais funcional e, por tanto, melhora a sua saúde.

Yvette Gillot, um história de superação

Fisioterapia Idosos

Yvette realiza exercícios terapêuticos diariamente

Yvette Gillot tem 70 anos, é nascida em França, mas vive em Espanha há mais de 20 anos. Há 15 anos sofreu um acidente doméstico que lhe provocou alguns danos físicos.

 “Caí de umas escadas quando pendurava umas cortinas. Senti que me tinha magoado na parte lombar. Anos depois, notei que quando andava arrastava a perna direita”.

Nesse momento, Yvette procurou ajuda imediatamente para solucionar o seu problema.  Deslocou-se a um traumatólogo e, posteriormente ao neurocirurgião, que lhe diagnosticou uma anomalia entre a vértebra L5 e S1.

Posto isto, tomou a decisão de seguir para cirurgia sem notar qualquer tipo de melhoras após a mesma. Após meses de recuperação, começou a ir ao fisioterapeuta e este detectou-lhe imediatamente uma grande redução da massa muscular.

Ao deparar-se com a situação de Yvette, o seu fisioterapeuta apresentou-lhe um plano de exercícios terapêuticos de pelo menos dois dias por semana, recorrendo maioritariamente a trabalhos de fortalecimento muscular.

“Recuperei parte da mobilidade que tinha perdido, sobretudo no tornozelo que era a parte da perna que sentia ser mais débil. Os resultados foram óptimos. Estou motivada, posso mover-me sozinha e seguir com uma vida independente e activa. Faço natação, treino 2 a 3 horas por semana e faço mais de 6 km porque vou a pé para os treinos”.

Yvette afirmou também que, durante toda a sua vida praticou exercício, mas ultimamente só treina para fortalecer a perna e recuperar a massa muscular que perdeu após o acidente. Somando a isto, nas sessões de fisioterapia, Yvette pratica os exercícios recomendados pelo seu fisioterapeuta especialista em treino muscular.

Um dos factores chave na história de Yvette, segundo o seu fisioterapeuta, foi a força de vontade, de querer trabalhar e melhorar o suficiente a força concêntrica  e, sobretudo, a excêntrica para reequilibrar e manter uma postura correcta. Para alcançar esses resultados, Yvette utiliza a EPTE® Inertial Concept para exercícios e movimentos estruturados e pensados ao detalhe. Isto irá permitir-lhe evitar futuramente perdas de equilibro e voltar a cair.

“Recomendo a todos que pratiquem exercício para que mais tarde se possam mover e ser mais independentes. Como diz o velho ditado: “Para é morrer”!”

Exercício Terapêutico na Fisioterapia

Jose Casaña Granell, Fisioterapeuta, licenciado em Ciências da Actividade Física e do Desporto e actualmente desenvolve o seu trabalho como professor Doutor na Faculdade de Fisioterapia da Universidade de Valência, fala-nos um pouco sobre o exercício preventivo.

O exercício preventivo, tal como o seu nome o indica, previne o sujeito de “padecer ou sofrer algum tipo de alteração que repercuta na sua funcionalidade e na sua saúde”, afirmou Casaña. Por exemplo, é mais provável que as pessoas mais velhas possam cair que as pessoas mais jovens devido ao processo de sarcopenia (doença que se identifica com a diminuição da massa muscular e força, observada sobretudo na extremidade inferior, a partir dos 50 anos).

Esta situação conduz, à parte da diminuição das funcionalidades do dia a dia, no que toca ao subir e descer escadas, levantar da cama, cadeira ou caminhar com autonomia, a um aumento de potenciais riscos de queda.

 “O exercício de fortalecimento seria uma medida preventiva adequada e beneficiária. Este tipo de acções sanitárias são exclusivas dos fisioterapeutas”, afirma Jose Casaña.

Fisioterapia e a Esclerose Múltipla

Entre alguns dos benefícios do exercício terapêutico, existe a evidência de que “a aplicação de um programa de exercícios físicos cinco dia semanais durante um mês produz melhoras na força muscular e mobilidade dos pacientes mais velhos ou doentes que sofram de esclerose múltipla sem produzir recaídas“.

Com a prática destes exercícios o crescimento muscular e as mudanças na função neuromuscular são favorecidos.

Fisioterapia e as Máquinas Isoinerciais

Uma das modalidades que actualmente está ser aplicada para melhorar a força das pessoas mais idosas são as máquinas isoinerciais que, tal como explica o Dr. José Casaña:

“Este tipo de treino, sempre que esteja subscrito por um fisioterapeuta com os conhecimentos adequados para a programação e quantificação do exercício físico terapêutico, poderá proporcionar múltiplos benefícios em patologias crónico-degenerativas, que infelizmente afectam pessoas de todas as idades”.

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